Arara Teresa, versão online.
Porque, convenção por convenção, a nossa tem mais groove, tem mais piada, tem mais charme.
25.2.09

De verdade ela gosta desse gato, por tê-lo visto, conhecido assim doze anos seguidos, segurado e acariciado, levando sua comida de manhã antes que levantassem, tirando seus carrapatos entre duas unhas como entre humanos não fazemos mais, erguendo-o do chão para trzê-lo à altura de seu peito enquanto ele, torcido, cabeça presa, patas traseiras esticadas, se sacode, seu pelo e seu odor quente característicos dos gatos que cheiramos em seguida, o toque plástico e arredondado da parte de baixo das patas em trevo, e os olhos verde grama, verde pistache, verde alface sem pálpebra móvel, esse gato, deitado de lado não pode cair, farejando preciso tudo o que na Criação, eis o que por uma vez a Criação quer dizer e a preposição em é um grande conjunto, esse gato que vai embora quando nos aproximamos, que corre quando avançamos, que se achata como um carpete achatando seu fígado talvez para passar sob uma porta ou que se revira em pleno vôo, seu grito: ele mia, se pendura pelas garras, retráteis, nos troncos para subir neles ou não, as gengivas róseas, o peso que vai ganhando, avançando em sua circunferência alguns centrímetros.

[Natalie Quintane]

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15.2.09

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